Assessoria de Imprensa do Sindseg PR/MS – 17.04.2026
A Comissão de Seguros Gerais do Sindicato das Seguradoras do Paraná e de Mato Grosso do Sul (Sindseg PR/MS) realizou reunião nesta semana (14/04) com foco em temas estratégicos para o setor, como novos riscos, mudanças regulatórias, agenda ambiental e social, além dos desafios de expansão do mercado segurador no Brasil.
Um dos principais pontos discutidos foi a crescente complexidade dos riscos associados a novas tecnologias e comportamentos, como o uso de veículos elétricos. O grupo destacou a falta de normativas consolidadas, especialmente em relação à instalação de pontos de recarga e à responsabilização em casos de sinistros, como incêndios. A ausência de regulamentação clara ainda gera dúvidas sobre cobertura e responsabilidades entre seguradoras, clientes e terceiros.
Outro tema de destaque foi a evolução da agenda ESG no mercado segurador, especialmente no seguro rural. A nova resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), que entra em vigor ainda neste mês, exigirá maior rigor na análise de riscos ambientais e sociais, incluindo a verificação de regularidade no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a exclusão de operações com irregularidades. A medida deve impactar diretamente processos de subscrição e exigir adaptações operacionais e tecnológicas nas seguradoras.
No campo do agronegócio, os participantes reforçaram o baixo nível de penetração do seguro rural no Brasil — estimado em cerca de 20% das áreas cultivadas, bem abaixo de países como Estados Unidos e Espanha. Entre os entraves apontados estão a limitação de recursos públicos para subvenção, a complexidade dos riscos climáticos e questões socioeconômicas que afetam a capacidade de contratação pelos produtores.
A comissão também discutiu o desempenho e as perspectivas do seguro garantia, que vem registrando crescimento relevante no segmento corporativo. Apesar do avanço, o produto ainda enfrenta desafios como o alto nível de exigência para tomadores, a necessidade de sistemas ágeis de análise e o impacto do endividamento das empresas. A inclusão da cláusula de retomada de obras, prevista na nova Lei de Licitações, foi apontada como um avanço, embora ainda em fase de adaptação por parte de estados e órgãos públicos.
Por fim, o grupo abordou aspectos estruturais do mercado segurador brasileiro, destacando que o crescimento do setor passa não apenas pela conscientização sobre a importância do seguro, mas também por fatores econômicos. A limitação do poder de compra da população e a dificuldade de acesso ao produto ainda são considerados obstáculos relevantes para a ampliação da base de segurados no país.
A reunião reforçou o papel do Sindseg PR/MS como espaço de debate técnico e alinhamento entre as seguradoras, contribuindo para a evolução do mercado frente a novos desafios regulatórios, tecnológicos e socioambientais.

