Rogério Araújo, fundador da TGL Consultoria, acredita que a reorganização de dívidas por meio do Desenrola é uma virada de chave para a proteção, pois é quando o cliente “acorda financeiramente”.
Neste contexto, a atuação do corretor se torna ainda mais estratégica. “Esse possível cliente acabou de aprender, na prática, que é vulnerável financeiramente, um imprevisto piora tudo e sair da dívida custa caro. Então, ele está pronto para entender algo essencial: o problema não foi só a dívida. Foi a falta de planejamento e de proteção financeira”, pontua.
Para ele, o corretor deve orientar que o cliente resolveu o problema do passado e que, agora, é necessário proteger o futuro. “O cliente está sensível a preço. Não quer comprar novo produto ou serviço, mas está emocionalmente aberto”, detalha.
A partir dessa leitura, o especialista destaca que existem diferentes soluções dentro do mercado de seguros que podem acompanhar esse novo momento do cliente. Ao CQCS, Araújo acredita que o seguro de vida é o principal produto. Com coberturas como morte, invalidez, doenças graves e diária por incapacidade, o especialista destaca que o corretor deve apresentar a solução de maneira inteligente ao cliente.
O seguro de vida segue como base dessa proteção, mas o seguro prestamista também se destaca nesse momento ao proteger dívidas renegociadas e garantir o pagamento em caso de imprevistos, evitando que esse compromisso volte a recair sobre a família. Já a previdência privada deve ser trabalhada sob uma lógica de responsabilidade com o futuro, reforçando que, além de resolver as pendências do passado, é fundamental construir uma reserva para a aposentadoria e reduzir a dependência financeira de terceiros no futuro.
“Precisa compreender que existe uma dívida, inegociável, com ele mesmo, a ser paga no futuro. É a dívida da aposentadoria com dignidade financeira. E só existe uma maneira, inteligente, de se quitar essa dívida: poupar parte do que ele produz hoje, para utilizar no futuro”, explica Araújo.
O especialista afirma que, caso não poupe parte do que produz para utilizar no futuro, o cliente dependerá de terceiros no momento da aposentadoria. “A maior herança que podemos deixar para nossos filhos é não depender, financeiramente, deles no futuro”, destacou.
O Programa Desenrola Brasil 2.0 é uma oportunidade para corretores que estão preparados e que querem construir uma relação de longo prazo com os clientes. No entanto, segundo ele, o erro do corretor será se abordar oferecendo seguro. “O caminho certo é diagnosticar, orientar e planejar”, diz.
Ainda para o especialista, o corretor que não educa, perde relevância. “O brasileiro não rejeita o Seguro de Vida, rejeita a forma como ele é apresentado”, ressalta. “O corretor de seguros precisa compreender que ele é um agente de transformação social, compreender que é muito mais do que uma oportunidade comercial, é uma responsabilidade com a sociedade”, completa finalizando.

