A decretação de liquidação extrajudicial da Seguradora Infinite pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) voltou a acender um alerta sobre os riscos financeiros e operacionais enfrentados por seguradoras que deixam de cumprir obrigações básicas do setor. Para entender o que normalmente leva uma companhia de seguros a esse cenário, o CQCS conversou com Dorival Alves de Sousa, advogado, corretor de seguros e delegado representante da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).
Segundo ele, as liquidações extrajudiciais geralmente são resultado de uma deterioração financeira e administrativa que já vinha se acumulando internamente. “As seguradoras chegam a esse ponto por problemas como falta de recursos suficientes para pagar sinistros, descumprimento de regras contratuais e de resseguro, gestão deficiente ou indícios de irregularidades. Normalmente são decisões que buscam evitar prejuízos maiores e preservar a estabilidade do setor”.
Na prática, a intervenção da Susep ocorre quando a seguradora já não demonstra capacidade de manter suas operações de forma segura para clientes, parceiros e corretores. O problema costuma atingir diretamente o segurado, principalmente em momentos de acionamento de cobertura ou pagamento de indenizações. Segundo Dorival Alves de Sousa, um dos fatores que podem agravar esse tipo de cenário é justamente a ausência de estrutura operacional compatível com o tamanho da carteira assumida pela companhia.
“A expansão acelerada de algumas seguradoras sem estrutura adequada é um fator de risco. Crescer sem capital, controles e resseguro suficientes pode levar a problemas na hora de honrar compromissos com clientes”.
Além dos impactos financeiros, a liquidação extrajudicial também provoca efeitos na relação de confiança entre consumidores, corretores e seguradoras. Em muitos casos, parceiros comerciais enfrentam insegurança sobre continuidade de contratos, pagamento de sinistros e estabilidade das operações. Para o representante da Fenacor, a maneira como o órgão regulador conduz a intervenção influencia diretamente na percepção do público sobre a credibilidade do setor.
“Uma liquidação causa inquietação e pode abalar a confiança do público, sobretudo se afetar carteiras relevantes. Por outro lado, uma intervenção regulatória bem conduzida também mostra que existem mecanismos de proteção e fiscalização. O efeito na imagem do setor depende da transparência e da rapidez das ações aplicadas”.
O caso da Infinite também reforça um debate recorrente entre especialistas: a importância da gestão técnica e financeira dentro das seguradoras. Em um segmento baseado na promessa de proteção futura, a capacidade de pagamento e a organização operacional acabam sendo fatores decisivos para garantir estabilidade e segurança aos segurados.
Para corretores de seguros, episódios como esse também servem de alerta sobre a importância de acompanhar a solidez das companhias com as quais operam, principalmente em um cenário de maior fiscalização regulatória e atenção à capacidade financeira das empresas do setor.

