Dados da CNseg mostram crescimento de 87,8% na arrecadação e de 95,5% nas indenizações, refletindo o aumento da exposição a riscos em projetos industriais, logísticos e de infraestrutura
O avanço das concessões rodoviárias, a ampliação da capacidade portuária e a expansão de novos investimentos industriais estão elevando a demanda por seguros voltados a grandes empreendimentos no Paraná.
Nesse contexto, o mercado de seguros voltado a Grandes Riscos registrou crescimento expressivo no estado. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que a arrecadação do segmento avançou 87,8% nos 12 meses encerrados em março de 2026, alcançando R$ 567 milhões.
Ao mesmo tempo, as indenizações pagas pelas seguradoras cresceram 95,5% no período, chegando a R$ 215 milhões. O dado evidencia não apenas a expansão do mercado, mas também a utilização efetiva das coberturas contratadas por empresas expostas a riscos operacionais, climáticos, ambientais e patrimoniais.
Para o presidente do Sindicato das Seguradoras do Paraná e Mato Grosso do Sul (Sindseg PR/MS), Guilherme Bini, o cenário traduz a forte dinâmica da economia regional e a sofisticação do empresariado local diante de riscos operacionais e meteorológicos.
“O Paraná vive uma fase vigorosa de atração de capital, expansão de plantas industriais automatizadas e modernização logística, com destaque para a movimentação recorde nos portos e as novas concessões de rodovias. Fábricas maiores e projetos de infraestrutura pesada exigem apólices robustas de Riscos Operacionais, de Engenharia e Seguro Garantia. Ao mesmo tempo, o expressivo aumento das indenizações comprova a eficiência do setor. Frente a episódios climáticos severos e quebras de maquinário que ameaçavam interromper grandes cadeias produtivas, as seguradoras atuaram tempestivamente, garantindo a continuidade dos negócios e a estabilidade econômica do estado”, afirmou o executivo.
Resiliência e customização
Diferentemente dos seguros massificados, o segmento de Grandes Riscos atende operações empresariais de alta complexidade por meio de soluções desenvolvidas sob medida para cada atividade econômica. As coberturas podem envolver desde plantas industriais, centros logísticos e operações portuárias até riscos ambientais, responsabilidade civil, equipamentos de alto valor e perdas financeiras decorrentes da interrupção das atividades.
Entre as coberturas mais relevantes para grandes corporações está a de Lucros Cessantes, que permite compensar perdas de faturamento provocadas por paralisações temporárias decorrentes de sinistros cobertos. Em setores altamente dependentes de continuidade operacional, esse tipo de proteção pode ser determinante para a recuperação financeira das empresas.
Para Marcelo Gil Orlandini, presidente da Comissão de Grandes Riscos da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o crescimento do segmento acompanha uma mudança na forma como as empresas brasileiras encaram a gestão de riscos.
“Empresas que investem em ativos de grande porte e em operações cada vez mais sofisticadas precisam incorporar a gestão de riscos como parte da estratégia de negócios. O seguro é um dos instrumentos que contribuem para essa resiliência, permitindo que organizações enfrentem eventos adversos sem comprometer sua capacidade de operar, investir e crescer”, afirmou.
Segundo Orlandini, a intensificação dos eventos climáticos extremos e a crescente interdependência das cadeias produtivas têm ampliado a atenção das empresas para riscos que, até poucos anos atrás, eram considerados secundários.
“Hoje, não se trata apenas de proteger patrimônio. Trata-se de garantir continuidade operacional, preservar empregos, cumprir contratos e assegurar a viabilidade de projetos que movimentam a economia. Quanto mais complexo o ambiente de negócios, mais relevante se torna uma abordagem estruturada de gerenciamento e transferência de riscos”, conclui.
Sobre esse tema, a Jovem PAN News entrevistou o presidente da Comissão de Grandes Riscos da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Marcelo Gil Orlandini. Assista abaixo a entrevista.

