Revista Cobertura – 04/11/2026 – FONTE: Aon
A Aon plc (NYSE: AON), empresa líder global em serviços profissionais, projeta que o aumento dos custos médicos associados aos planos de saúde corporativos devem atingir 11,1% em 2027 no Brasil, ante 9,7% registrado em 2026. O movimento contrasta com a tendência global, cuja projeção deve recuar de 9,8% para 9% no próximo ano. Os dados fazem parte do relatório Global Medical Trend Rates 2027, que estima o aumento dos custos dos planos médicos patrocinados por empregadores em diferentes mercados. No Brasil, a tendência projetada supera em mais de três vezes a inflação estimada para o país, de 3,4%, de acordo ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
A tendência líquida de crescimento dos custos médicos, calculada após o desconto da inflação geral, deve avançar de 5,4% para 7,7% em 2027, no país. Embora esses indicadores não correspondam diretamente aos reajustes dos contratos dos planos de saúde, eles ajudam as empresas a planejar seus programas de assistência e avaliar a sustentabilidade financeira dos benefícios oferecidos.
Já na região da América Latina e Caribe, o cenário é de relativa estabilidade, com a taxa bruta de crescimento passando de 10,3% para 10,4% em 2027. Em outras regiões do mundo, a tendência é de recuo mais expressivo: na Ásia-Pacífico, a taxa deve cair de 11,3% para 9,7%; na Europa, de 8,2% para 7,5%; e no Oriente Médio e na África, de 15,3% para 12,2%.
Apesar da desaceleração da inflação médica projetada em diversos mercados, o relatório ressalta que os custos médicos continuam crescendo em ritmo superior ao da inflação geral de 3,4% projetada pelo FMI para 2027. Entre os fatores estruturais que sustentam essa pressão estão o envelhecimento da população, o aumento da prevalência de doenças crônicas, a demanda por serviços de saúde e a adoção de tratamentos e tecnologias avançadas, frequentemente associados a despesas mais elevadas. Além disso, o comportamento dos custos varia entre países, o que reforça a necessidade de estratégias adaptadas às condições de cada mercado.
Avanço de doenças crônicas e novas terapias amplia desafios
As doenças crônicas seguem entre os principais fatores associados às despesas assistenciais. No Brasil, as doenças cardiovasculares lideram o ranking de condições com maior impacto nos custos dos planos de saúde, seguidas por câncer, doenças autoimunes, condições relacionadas à saúde mental e problemas musculoesqueléticos e da coluna vertebral. Entre os comportamentos que podem contribuir para o aumento desses riscos estão o sedentarismo, a obesidade, a má alimentação, a gestão inadequada do estresse e o consumo excessivo de álcool e outras drogas. Entre as principais alocações dos custos dos planos de saúde estão hospitalizações, medicamentos, imunobiológicos, tratamentos oncológicos e terapias e exames específicos voltados a pessoas neurodivergentes.
No último ano, a frequência de utilização de consultas eletivas, atendimentos em pronto-socorro e terapias simples permaneceu estável. No caso das terapias simples, o cenário indica uma acomodação após o forte crescimento registrado a partir de 2022, impulsionado pela ampliação regulatória do acesso a tratamentos, especialmente nas áreas de saúde mental e do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em contrapartida, aumentou a utilização de procedimentos de maior complexidade, com destaque para internações e terapias complexas. Nessas últimas, apesar da incorporação gradual de medicamentos imunobiológicos de alto custo ao rol de cobertura, houve redução do custo médio dos procedimentos. Ainda assim, o aumento da ocorrência de doenças autoimunes e oncológicas entre faixas etárias mais jovens contribuiu para elevar a utilização dessas terapias e ampliar sua participação nas despesas assistenciais.
Os dados reunidos para esta análise incluem informações do Painel de Oncologia do DataSUS e referências internacionais sobre câncer de início precoce. Esses estudos indicam que o fenômeno não deve ser explicado apenas pelo envelhecimento e que fatores relacionados ao estilo de vida, entre eles a obesidade, também merecem atenção.
As internações também registraram aumento, possivelmente relacionado à maior conversão de atendimentos em pronto-socorro em internações e à evolução clínica de pacientes submetidos a tratamentos complexos.
O levantamento também chama a atenção para o avanço das terapias com agonistas do receptor GLP-1, utilizadas no tratamento do diabetes e da obesidade. Globalmente, esses medicamentos estão disponíveis para tratamento em quase 70% dos países pesquisados e são cobertos por planos médicos patrocinados por empregadores em metade desses mercados. A ampliação do acesso pode aumentar a pressão sobre os custos farmacêuticos, embora os efeitos sobre a saúde também devam ser considerados na avaliação de longo prazo.
Prevenção e personalização ganham espaço
“A projeção de crescimento dos custos médicos corporativos no Brasil, em ritmo oposto à tendência global, reforça a importância de as empresas olharem de forma estratégica para seus programas de saúde. Esse crescimento é explicado principalmente pela maior frequência de utilização dos eventos de maior complexidade, especialmente internações e terapias complexas, que continuam exercendo pressão relevante sobre os custos assistenciais mesmo em um contexto de redução do custo médio por procedimento. Investir em prevenção e análise de dados são medidas importantes para antecipar riscos e apoiar decisões mais eficientes, conciliando o cuidado com os colaboradores e a sustentabilidade financeira dos benefícios”, afirma Fabio Martinez, Head de Capital Humano para o Brasil na Aon.
Diante desse cenário, a Aon destaca quatro frentes utilizadas pelas empresas brasileiras para administrar a evolução das despesas médicas: implementação de iniciativas de bem-estar, decisões baseadas em dados integrados, redesenho de benefícios buscando otimização financeira e métodos de financiamento.
Acesse aqui o relatório completo.

