Com o avanço das locações por temporada, muitos imóveis deixaram de ter uso exclusivamente residencial e passaram a desempenhar uma função comercial. Para Alexandre Gama, coordenador de Produtos Patrimoniais da Pottencial Seguradora, o crescimento desse mercado começou a ganhar força a partir de 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo.
“Impulsionados pela facilidade de investimento e pela perspectiva de retorno financeiro, muitos investidores passaram a adquirir imóveis com a finalidade de exploração por locações de curta duração. Em diversos casos, essa prática entra em conflito com as Convenções Condominiais e com a destinação residencial dos empreendimentos, transformando unidades originalmente destinadas à moradia em
ativos voltados à obtenção de lucro”, detalha Gama.
Segundo o executivo, a evolução desse modelo de negócio trouxe novos desafios para o setor. O perfil dos locatários de temporada é bastante diversificado, o que amplia a exposição dos proprietários a diferentes tipos de ocorrências, como danos ao imóvel, prejuízos materiais, acidentes envolvendo hóspedes, furtos, além de danos causados a áreas comuns de condomínios e a terceiros.
Enquanto as discussões sobre os impactos desse modelo seguem em debate entre governos, investidores, compradores, corretores e condomínios, o seguro residencial acompanha naturalmente a expansão do setor. A crescente popularização dos apartamentos compactos e das plataformas de aluguel por temporada têm impulsionado a demanda por soluções capazes de atender um perfil de risco diferente daquele observado nas residências tradicionais.
De acordo com Gama, as seguradoras vêm se adaptando a essa nova realidade por meio da criação de produtos específicos, endossos dedicados, coberturas diferenciadas, ajustes de franquias e até mesmo restrições para determinadas modalidades de locação.
O executivo ressalta ainda que um dos pontos mais importantes para garantir a efetividade da proteção é a comunicação transparente com a seguradora. Segundo ele, a companhia deve ser informada sempre que o imóvel segurado for utilizado para locação de curta duração.
“É essencial que a seguradora seja informada quando o imóvel segurado for destinado à locação por temporada ou a outra finalidade diferente da moradia habitual. A omissão dessa informação pode resultar na aplicação das medidas previstas nas Condições Gerais, como a negativa de cobertura ou o cancelamento da apólice”, observa.
Além de representar uma mudança no perfil de exposição das residências, o avanço desse mercado também cria novas oportunidades para os corretores de seguros. Segundo Alexandre, cresce a demanda por profissionais capazes de orientar investidores e proprietários que utilizam imóveis como fonte de renda e necessitam de soluções adequadas para essa atividade.
“Com o crescimento das locações por temporada e das plataformas digitais, aumenta também a demanda por seguros adequados a esse perfil de uso. Para os corretores, essa é uma oportunidade de atender investidores e proprietários com soluções específicas, como o seguro residencial “, conclui Gama

