Indústria tem ano sem otimismo pela primeira vez em dez anos

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  • Indicador da CNI fica abaixo de 50 pontos em todos os meses de 2025
  • Entre os setores mais pessimistas em dezembro estão o de couro, biocombustíveis, têxteis e metalurgia
Folha de São  Paulo – 19.dez.2025 às 13h25 – São Paulo

O setor industrial passou um ano inteiro sem demonstrar otimismo pela primeira vez desde 2015, ano em que o país viveu uma recessão econômica. O patamar da taxa básica de juros, a Selic, estacionada ao longo do segundo semestre de 2025 em 15%, é o que aproxima o cenário deste ano ao de dez anos atrás.

Segundo o Icei (Índice de Confiança do Empresário Industrial) da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a confiança dos empresários se manteve abaixo dos 50 pontos em todos os meses de 2025, conforme dados fechados até a primeira quinzena de dezembro.

A linha dos 50 pontos é a que divide quão confiantes estão os empresários da indústria, sendo que abaixo disso o clima é de pessimismo.

Entre os setores mais inseguros com a economia em dezembro estão o de couros e artefatos de couro (43), biocombustíveis (44,2), têxteis (45) e a metalurgia (45,2).

Na ponta oposta, o setor mais otimista é o de farmoquímicos e farmacêuticos, que entrou na reta final de 2025 com 56,9 pontos.

Na sequência, estão extração de minerais não-metálicos, com 53,9 pontos; impressão e reprodução, com 52,9; e bebidas, com 51,9.

Além da elevada da taxa de juros, diversos segmentos da indústria foram afetados neste ano pela tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras para os Estados Unidos —a metalurgia, por exemplo, está entre os mais atingidos.

Enquanto isso, a aflição das têxteis tem relação com a invasão de produtos asiáticos no mercado nacional, vendidos por preços inferiores à produção nacional.

Havia expectativa de que o Icei pudesse ter uma leve melhora no final do ano, por efeitos sazonais, mais essa perspectiva não se concretizou.