Executivos são unânimes em considerar o momento favorável para o corretor comercializar a proteção; riscos climáticos fortalecem o papel consultivo dos profissionais
O seguro residencial pode estar presente em diversos momentos nos lares brasileiros e tem adquirido uma importância crescente por conta dos eventos climáticos.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 2025 foi um dos anos mais extremos das últimas décadas no Brasil, com recordes de temperatura, chuvas intensas de alto impacto urbano e seca prolongada em centenas de municípios.
A atenção deve continuar ao longo de 2026. Conforme o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, os modelos apontam probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027.
“A recorrência de eventos extremos tem alterado a percepção de risco sobre a residência. Proteções antes vistas como complementares passam a ter maior peso na escolha da apólice, especialmente em regiões com histórico de vendavais, granizo ou oscilações na rede elétrica. A tendência é que o interesse acompanhe a realidade de cada localidade, com maior atenção às coberturas e assistências capazes de reduzir o impacto financeiro e facilitar o atendimento após uma ocorrência”, diz Alexandre Mandaji, superintendente de Seguros Massificados da Zurich Seguros.

Na visão de João Lins, diretor Financeiro da Aconseg-NNE, o seguro residencial ganha ainda mais relevância diante do aumento dos eventos climáticos extremos.
“Fenômenos como El Niño, além das mudanças climáticas observadas nos últimos anos, têm contribuído para a ocorrência mais frequente de chuvas intensas, vendavais, granizo, enchentes e descargas elétricas, aumentando a exposição das residências a perdas e danos. Dessa forma, quanto maior a frequência e a intensidade dos eventos climáticos, maior será a importância do seguro residencial. Isso reforça o papel do corretor como consultor de proteção e abre espaço para um crescimento sustentável desse ramo nos próximos anos”, explica Lins.
Cefas Rodrigues, diretor Comercial Regional Norte e Nordeste da Tokio Marine, tem observado um aumento da percepção de risco por parte dos consumidores. “Essa mudança tem levado mais pessoas a refletirem sobre a importância de proteger o imóvel e os bens da família. Coberturas como vendaval, granizo, alagamento e danos elétricos, inclusive aqueles provocados por queda de raios ou oscilações de energia, passaram a ganhar mais relevância na decisão de contratação. O cliente começa a entender que o seguro residencial não é algo distante ou acionado apenas em grandes perdas, mas uma proteção muito concreta diante de riscos que podem afetar sua rotina e seu patrimônio”.

Para Eduardo Grillo, diretor Executivo comercial da Suhai Seguradora, que ingressou recentemente no seguro residencial, os eventos climáticos têm reforçado a importância de discutir proteção patrimonial e prevenção.
“Mais do que pensar apenas na proteção depois que um problema acontece, entendemos que o seguro também pode contribuir para a prevenção e para o cuidado contínuo com a residência. Por isso, é importante que o corretor conheça bem as opções disponíveis e ajude o cliente a identificar quais proteções fazem mais sentido para sua realidade”, destaca Grillo.
Jéssica Almeida, executiva Comercial da Alba Seguradora, vê um crescimento exponencial, pois, anteriormente, o cliente contratava o seguro pensando majoritariamente em incêndio e roubo. “Hoje, a busca por danos elétricos (causados por oscilações na rede em tempestades), vendaval, granizo, furacão, destelhamento e alagamento/inundação virou prioridade nas negociações. As assistências emergenciais pós-evento, como desentupimento, reparos temporários no telhado, limpeza de calhas e contenção de danos — passaram de ‘mimos’ a itens cruciais na decisão de compra do segurado. Na Alba temos um leque grande de assistências e isso é um dos nossos diferenciais”, diz.

Para Paulo César Martins, superintendente Sênior de Negócios da Bradesco Seguros, a busca pelo seguro residencial segue impulsionada pelos eventos climáticos. “Para se ter uma ideia, o seguro residencial Sob Medida da Bradesco Seguros cresceu 18% em prêmios e 31% em itens contratados no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi puxado pela crescente conscientização da população em relação ao aumento do acontecimento de eventos climáticos extremos”, comenta o executivo, ao lembrar que o movimento também tem ampliado o interesse por coberturas específicas, além de serviços de assistências que garantem agilidade no atendimento em situações emergenciais.
A Mapfre também tem observado um aumento crescente da procura por coberturas relacionadas a eventos climáticos. “A percepção de risco mudou e os consumidores estão cada vez mais atentos à necessidade de proteger seu patrimônio diante de situações que podem gerar prejuízos significativos”.
Segundo Andrea Nogueira Soares, diretora de seguros massificados da Mapfre, nesse cenário, coberturas para vendaval, granizo e danos elétricos decorrentes da queda de raios ganharam ainda mais relevância. “Embora eventos climáticos extremos sempre tenham existido, hoje eles têm ocorrido com maior intensidade e frequência, o que reforça a importância da proteção securitária. Além da indenização financeira, os clientes valorizam cada vez mais a agilidade no atendimento e os serviços emergenciais. Por isso, disponibilizamos assistência 24 horas para situações como reparos hidráulicos e elétricos emergenciais, intervenções de manutenção predial e cobertura provisória de telhados em casos de destelhamento provocado por ventos fortes, vendavais ou granizo”.

O corretor na proteção patrimonial
Para o diretor da Aconseg- NNE, o corretor não deve ser apenas um vendedor de seguros, mas sim um consultor de riscos e proteção patrimonial. “Ao educar, orientar e conscientizar seus clientes sobre prevenção e planejamento, ele cumpre uma função social relevante, ajudando famílias e empresas a protegerem aquilo que levaram anos para construir”, indica.
Nesse contexto, ele diz que as assessorias podem atuar com informações, capacitação do produto e das ferramentas fornecidas pelas seguradoras, com o objetivo de ajudar os corretores a exercerem plenamente seu papel de consultores dos seus clientes.
“Ao apoiar ações de conscientização e prevenção, eles contribuem não apenas para o crescimento do mercado de seguros, bem como, no desenvolvimento de uma sociedade mais preparada para o enfrentamento dos riscos e proteção do patrimônio”.
O diretor da Tokio Marine destaca que o corretor tem um papel central na ampliação da cultura do seguro no Brasil, justamente por ser o principal elo entre o cliente e a seguradora e atua como um verdadeiro consultor de proteção, traduzindo a linguagem técnica, por meio de exemplos práticos e ajudando o consumidor a entender quais riscos fazem parte da sua realidade.

“Muitas pessoas ainda só pensam em contratar um seguro residencial depois de enfrentarem um problema. Por isso, o trabalho do corretor é essencial para antecipar essa reflexão e mostrar que o seguro é uma ferramenta de prevenção, proteção financeira e tranquilidade. Ele ajuda o cliente a perceber que proteger a casa significa cuidar de um dos patrimônios mais importantes da família”.
Rodrigues ainda destaca que no Norte e Nordeste, o papel educativo do corretor ganha ainda mais relevância. “São mercados com grande potencial de expansão, e o corretor que conseguir combinar proximidade, conhecimento local e abordagem consultiva terá uma oportunidade importante de crescimento, ajudando mais famílias a protegerem seus lares de forma simples, acessível e eficiente”.
“O corretor tem um papel fundamental porque é um dos principais agentes de orientação do cliente dentro do ecossistema de seguros. Mais do que apresentar uma apólice, ele pode ajudar o consumidor a compreender os riscos aos quais está exposto, avaliar o impacto que um imprevisto pode ter sobre seu patrimônio e identificar qual nível de proteção faz sentido para sua realidade”, acrescenta Grillo.
Esse papel consultivo, segundo o diretor da Suhai, é especialmente importante no seguro residencial, porque as necessidades podem variar muito de um cliente para outro. “A própria Suhai desenvolveu um produto que contempla diferentes realidades, incluindo casas, apartamentos, chácaras, sítios, fazendas, imóveis de veraneio, residências destinadas à locação por temporada e até imóveis que também funcionam como pequenos negócios”.

“O corretor precisa se posicionar não apenas como um vendedor, mas como um consultor de gestão de riscos e proteção familiar. Ele é o protagonista no papel de disseminar a cultura de seguros e de mostrar que o produto residencial vai muito além do incêndio. Por isso, é importante que ele desmistifique a ideia de que o seguro residencial é caro. Quando o cliente percebe que proteger seu patrimônio custa, muitas vezes, menos que uma pizza por mês, a objeção financeira desaparece”, analisa a executiva da Alba.
Segundo Martins, o corretor de seguros é um dos principais agentes da conscientização sobre prevenção e proteção patrimonial. “Ao detalhar as coberturas e assistências, o corretor informa sobre os reais usos do seguro, que vão muito além da indenização realizada em um momento adverso”.
O corretor de seguros tem um papel fundamental na transformação da cultura de proteção no Brasil e na ampliação da penetração do seguro residencial. “Historicamente, a baixa adesão ao produto esteve associada à falta de informação e à percepção equivocada de que se trata de uma solução cara ou destinada apenas a imóveis de alto padrão. Nesse contexto, cabe ao corretor atuar como agente de conscientização, mostrando que o seguro residencial é uma das formas mais acessíveis e eficientes de proteção patrimonial disponíveis no mercado”, resssalta João Vitor Manzano, diretor comercial territorial Norte e Nordeste da Mapfre.
Para o diretor da Mapfre, mais do que comercializar uma apólice, o corretor exerce uma função consultiva ao ajudar o cliente a identificar vulnerabilidades, compreender riscos e adotar medidas de prevenção capazes de reduzir impactos financeiros e transtornos no dia a dia. “Essa orientação torna-se ainda mais relevante em um cenário marcado pelo aumento dos eventos climáticos extremos, pela maior conectividade das residências e pelas novas demandas de proteção das famílias”.

“O papel do corretor começa antes da contratação. Cabe a ele ajudar o cliente a reconhecer riscos que costumam ser subestimados, como danos elétricos, vendavais, incêndios, vazamentos ou prejuízos causados a terceiros. Muitas pessoas só percebem a dimensão dessas exposições depois de uma ocorrência, quando o impacto financeiro já aconteceu”, ressalta Mandaji.
De acordo com o executivo da Zurich, os acionamentos mais frequentes estão ligados a problemas do dia a dia, não a grandes sinistros. “Com o seguro residencial o segurado aciona a assistência 24h e é atendido por profissionais qualificados e recebe suporte imediato, sem precisar buscar soluções por conta própria nem arcar integralmente com custos. Isso reforça a relevância do produto como proteção prática e acessível para a rotina das famílias”.
Alguns motivos para ofertar o seguro residencial ao seu cliente
-Acessibilidade, por conta do baixo custo;
-A baixa penetração e o grande potencial de crescimento;
-Aumento da frequência e da percepção de risco de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes, ventanias e descargas elétricas;
-Excelente relação custo-benefício;
-Oportunidade de cross-sell;
-Assistências valorizadas pelo consumidor.
-Contratação simplificada;
-Diversas possibilidades de personalização.
Conteúdo da edição 14 da Revista da Aconseg-NNE

