O desempenho mostra trajetórias distintas entre os segmentos. Enquanto os seguros de danos e de pessoas, excluindo o VGBL, registraram crescimento nominal de 6,30%, com receitas de R$ 154,65 bilhões, os produtos de acumulação e capitalização apresentaram retração. Somente em agosto, o setor arrecadou R$ 36,27 bilhões, alta de 11,73% em relação ao mesmo mês de 2025.
Nos oito primeiros meses do ano, as indenizações, os resgates, os benefícios e os sorteios totalizaram R$ 172,79 bilhões, queda nominal de 1,67% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, R$ 54,26 bilhões corresponderam a indenizações de seguros, R$ 99,69 bilhões a resgates e benefícios de produtos de acumulação e R$ 18,85 bilhões a resgates e sorteios de capitalização.
Seguros de pessoas crescem 10,14%, com destaque para prestamista e vida
O segmento de seguros de pessoas, excluindo o VGBL, apresentou um dos melhores desempenhos do mercado, com arrecadação de R$ 55,54 bilhões até agosto, crescimento nominal de 10,14% e real de 5,55% em relação ao mesmo período de 2025.
O seguro de vida manteve a liderança do segmento, com R$ 26,92 bilhões em prêmios, crescimento nominal de 8,66% e real de 4,13%. A modalidade representa aproximadamente 49% da arrecadação dos seguros de pessoas.
O maior destaque em termos de expansão foi o seguro prestamista, que arrecadou R$ 16,69 bilhões, avanço nominal de 17,78% e real de 12,86%. O produto, que garante o pagamento de dívidas em situações previstas em contrato, como morte ou invalidez, respondeu por cerca de 30% dos prêmios do segmento.
Já o seguro de acidentes pessoais registrou queda nominal de 1,65%, com arrecadação de R$ 6,25 bilhões. Os demais seguros de pessoas cresceram 11,53%, para R$ 4,98 bilhões, enquanto o seguro viagem avançou 5,78%, movimentando R$ 700 milhões.
Seguro auto movimenta R$ 42,4 bilhões; rural recua 9,51%
Nos seguros de danos, a arrecadação chegou a R$ 99,11 bilhões de janeiro a agosto, crescimento nominal de 4,26%, mas com retração real de 0,11%. O seguro de automóveis permaneceu como principal ramo, concentrando 43% dos prêmios do segmento. A modalidade arrecadou R$ 42,41 bilhões, crescimento nominal de 6,38% e real de 1,92%.
Entre os ramos que mais avançaram estão os seguros financeiros, com alta de 19,10% e arrecadação de R$ 6,55 bilhões, e os seguros patrimoniais classificados como outros, que cresceram 16,19%, alcançando R$ 5,51 bilhões.
O seguro habitacional também apresentou desempenho positivo, com crescimento de 11,58%, para R$ 5,86 bilhões. Já os seguros compreensivos, que incluem coberturas residenciais, empresariais e condominiais, movimentaram R$ 8,66 bilhões, alta de 5,72%.
Em termos percentuais, a maior expansão entre os ramos de danos foi registrada pelo seguro fiança locatícia, cuja arrecadação aumentou 27,77%, atingindo R$ 1,67 bilhão. O crescimento real foi de 22,47%. Na direção contrária, o seguro rural apresentou queda nominal de 9,51% e real de 13,24%, com arrecadação de R$ 7,84 bilhões. O resultado contrasta com o desempenho positivo de outras modalidades de proteção patrimonial.
Também registraram retração os seguros de transportes, com queda de 3,47%, os riscos especiais patrimoniais, com recuo de 0,49%, e os seguros marítimos e aeronáuticos, que diminuíram 3,50%. As maiores quedas percentuais ocorreram em microsseguros, cuja arrecadação recuou 52,36%, para R$ 520 milhões, e nos riscos especiais de energia, com redução de 25,06%, para R$ 1,06 bilhão.
Previdência e VGBL arrecadam R$ 105,55 bilhões, com queda de 5,54%
Os produtos de acumulação, que incluem VGBL, PGBL e previdência tradicional, registraram contribuições de R$ 105,55 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, queda nominal de 5,54% e real de 9,50%.
O VGBL, principal produto desse mercado, respondeu por R$ 94,88 bilhões em contribuições, retração nominal de 7,05% e real de 10,95%. Os resgates chegaram a R$ 85,52 bilhões, enquanto os benefícios somaram R$ 240 milhões, resultando em captação líquida positiva de R$ 9,12 bilhões.
O PGBL apresentou comportamento diferente, com crescimento nominal de 13,29% e real de 8,61%, alcançando R$ 8,71 bilhões em contribuições. Entretanto, os resgates e benefícios superaram as entradas, produzindo captação líquida negativa de R$ 1,59 bilhão.
Na previdência tradicional, as contribuições somaram R$ 1,95 bilhão, queda nominal de 1,19%, com captação líquida negativa de R$ 1,67 bilhão. Considerando os três produtos, a arrecadação superou os pagamentos de resgates e benefícios em R$ 5,86 bilhões no acumulado até agosto.
Capitalização recua 7,07%, apesar do avanço em garantia e incentivo
O mercado de títulos de capitalização arrecadou R$ 21,07 bilhões até agosto, redução nominal de 7,07% e real de 10,94% em relação ao mesmo período do ano anterior. A modalidade tradicional, responsável por aproximadamente 70% das receitas do segmento, movimentou R$ 14,80 bilhões, queda nominal de 9,05%. A filantropia premiável também registrou retração expressiva, de 24,49%, com receitas de R$ 2,18 bilhões.
Em contrapartida, a modalidade instrumento de garantia cresceu 14,41%, para R$ 2,90 bilhões, enquanto os títulos de incentivo avançaram 18,80%, alcançando R$ 910 milhões. Os pagamentos de resgates e sorteios totalizaram R$ 18,85 bilhões no período, crescimento nominal de 3,85%.
Resseguros recebem R$ 20,21 bilhões em prêmios cedidos
No mercado de resseguros, as seguradoras cederam R$ 20,21 bilhões em prêmios entre janeiro e agosto, o equivalente a 13,07% dos R$ 154,65 bilhões em prêmios dos seguros de danos e de pessoas, excluindo o VGBL.
As resseguradoras locais receberam R$ 10,63 bilhões em prêmios cedidos, enquanto as admitidas ficaram com R$ 4,67 bilhões e as eventuais, com R$ 4,91 bilhões. Os valores informados pela Susep são líquidos das comissões de resseguro.
O boletim também mostra que as resseguradoras locais registraram R$ 1,16 bilhão em negócios provenientes do exterior no acumulado até julho, sendo R$ 897,64 milhões em prêmios líquidos de resseguro e R$ 263,76 milhões em retrocessões aceitas líquidas. Os dados internacionais apresentam defasagem de um mês.
Participação das receitas no PIB cai para 3,1%
Uma novidade da edição de agosto é a inclusão de indicadores que relacionam as receitas do mercado supervisionado ao Produto Interno Bruto (PIB). Considerando os valores acumulados em 12 meses, a participação das receitas do setor na economia brasileira caiu de 3,4% em agosto de 2025 para 3,1% em agosto de 2026. Em agosto de 2024, essa participação havia alcançado 3,7%.
O movimento foi influenciado principalmente pela redução da participação dos produtos de acumulação, que passou de 1,42% para 1,14% do PIB no intervalo de um ano. Já os seguros de danos e de pessoas mantiveram participação de 1,74%. Apesar da perda de participação das receitas, o estoque de provisões técnicas das empresas supervisionadas atingiu R$ 2,22 trilhões em agosto, crescimento nominal de 11,95% em relação ao mesmo mês de 2025. O montante representa 16,64% do PIB brasileiro e evidencia o volume de recursos mantidos pelo setor para fazer frente aos compromissos assumidos com segurados e participantes.

