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Soluções para grandes desafios do setor público passam por integração com o mercado segurador

 

Estragos provocados por mudanças climáticas, obras públicas paralisadas, recorrência em acidentes graves no transporte de cargas, ataques cibernéticos, o tratamento desses grandes temas que desafiam o setor público demandam maior interlocução com o setor de seguros.

Essa é uma das conclusões do Seminário Regional de Seguros, que aconteceu na última quinta-feira (18/06), no Espaço Torres, em Curitiba, como parte das ações da Semana Municipal do Seguro. O evento reuniu representantes do setor, dirigentes de seguradoras, corretores de seguros e autoridades públicas.

Para aproximar o setor segurador da população e do Poder Público, a programação da Semana do Seguro realizada entre os dias 14 e 20 de junho,  incluiu ainda uma sessão solene na Câmara de Vereadores na segunda-feira (15/06) e uma reunião com o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, na terça-feira (16/06).

Os primeiros resultados dessa aproximação já puderam ser observados na abertura do seminário. Representando o prefeito na solenidade de abertura, a vice-líder do poder executivo na Câmara Municipal, vereadora Rafaela Lupion, destacou que “é fundamental unir esforços para que Curitiba não seja apenas referência em qualidade de vida e inovação, mas que também se consolide como a capital onde mais se contratada seguro, a capital mais segura do Brasil”, afirmou.

Um desafio bastante oportuno especialmente em cenário de mudanças climáticas, que foi traçado pelo presidente do Sindicato das Seguradoras (Sindseg PR/MS), Guilherme Bini, no primeiro painel do evento. Em sua exposição, Bini mostrou o crescimento dos eventos climáticos extremos nas últimas cinco décadas e disse que a pergunta não é mais se teremos eventos climáticos, segundo ele, a dúvida é quando e que tipo de evento teremos.

“Nós chegamos aqui em 2020 com um volume de inundações que nós nunca tivemos. Tempestades, temperaturas extremas e secas. Esse cenário vem castigando bastante o agronegócio, mas acaba atingindo toda a população. A infraestrutura pode ser comprometida, cidades e rodovias ameaçadas por inundações. A pergunta que fica é como a população está se preparando para enfrentar essas calamidades?, indagou Bini.

Ele destacou que nas enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, o mercado segurador indenizou R$ 6 bilhões. No município de Rio Bonito do Iguaçu, no oeste do Paraná, que foi devastado por um tornado no final de 2025, somando todas as indenizações com seguro auto, residencial, empresarial e outros, o mercado de seguros pagou R$ 300 milhões. Mas em ambos os casos, apenas 10 a 20% das perdas estavam seguradas. “É nosso papel alertar as pessoas que os riscos estão aí, cada vez mais suscetíveis de se converterem em grandes prejuízos capazes de comprometerem completamente o bem estar de uma família, e para isso, para se proteger dessas situações é fundamental a contratação de seguro”, destacou Bini.

O presidente do Sindseg PR/MS lembrou que as autoridades estão prevendo um super El Nino neste ano com a projeção de eventos climáticos extremos em várias regiões do pais. Para o representante das seguradoras, é um alerta importante para que a população de todos os estados se conscientiza, se antecipe ao problema e faça a contratação de seguros. Ele explicou que o seguro residencial, por exemplo, tem um percentual maior de cobertura da Região Sul devido a recorrência de eventos climáticos. Mas ele observou que vendavais com ventos com mais de 100km/h já começaram a ser observados com mais frequência também na Região Nordeste.

Como desafio para  setor segurador, Bini defendeu o avanço do microseguro, que é o seguro com preços mais acessíveis às famílias de baixa renda. Ele explicou que justamente essa camada da população que atualmente não contrata seguro que muitas vezes reside em comunidades e está mais exposta aos riscos.

Em sua participação no seminário, o representante das seguradoras destacou ainda seu esforço em dialogar com o setor público sobre a necessidade de expandir a subvenção do seguro agrícola. Segundo ele, com os sucessivos cortes anunciados pelo governo, a cobertura de seguro no Brasil que já chegou próximo de 20%, baixou bastante nos últimos dois anos e atualmente protege menos de 7% da produção nacional.

Obras públicas

A ideia de que a solução para grandes contingências do setor público demandam maior diálogo com o setor de seguros também ficou evidenciada no painel: “Proteção empresarial: segurança contratual, pessoas e benefícios”, que contou com a participação do C&O da Seguradora Centauro, Ricardo Iglesias e do vice-presidente do Sindseg PR/MS Mauro Frogel. Na exposição de Frogel, ele mostrou um relatório apontando que atualmente existem 11.469 obras públicas paralisadas, o que representa 50,7% do total de obras. Mas segundo ele, o mercado de seguros já oferece um dispositivo capaz de impedir que uma obra tenha sua execução suspensa por culpa da empresa contratada, o seguro garantia. “O que nós precisamos é divulgar isso, mostrar para a população o prejuízo que uma obra parada representa, explicar que já existe a solução e cobrar as autoridades que exijam o seguro garantia nas contratações para proteger o investimento público e assegurar que aquela benfeitoria de fato será entregue à população”.