Revista Apólice – 14 de abril de 2026 – Jose Bailone e Hellen Fernandes
A Zurich Seguros anunciou o lançamento de um novo produto voltado à proteção contra fraudes corporativas, em um cenário de aumento da sofisticação dos golpes e maior pressão por práticas de compliance e governança. A solução, denominada Zurich Fraudes Corporativas, é direcionada tanto a instituições financeiras quanto a empresas de diferentes setores da economia.
O produto foi estruturado em duas frentes: uma voltada ao segmento corporativo em geral e outra específica para instituições financeiras. A proposta é oferecer cobertura para prejuízos decorrentes de atos fraudulentos, incluindo ocorrências praticadas por terceiros — mesmo sem envolvimento direto de colaboradores —, além de eventos relacionados à manipulação de sistemas e dados eletrônicos.
Segundo Hellen Fernandes, gerente executiva de Linhas Financeiras da companhia, a evolução das fraudes impulsionou o desenvolvimento de soluções mais robustas. “Hoje, as fraudes aparecem em situações como golpes de engenharia social, falsificação de identidade de fornecedores ou manipulação de sistemas para autorizar pagamentos indevidos. São casos que podem gerar perdas financeiras relevantes e afetar a reputação e a confiança de clientes e investidores”, afirma.
Para José Bailone, diretor executivo de Seguros Corporativos e Subscrição de Ramos Elementares da seguradora, o avanço da complexidade dos riscos tem ampliado o papel do seguro dentro das estratégias empresariais. “Por isso, as apólices da Zurich foram estruturadas para apoiar as organizações na gestão desses eventos, oferecendo suporte financeiro para etapas como investigação, análise do incidente e adoção de medidas necessárias para conter impactos e reduzir prejuízos, inclusive à reputação da empresa”, diz.
Cenário de aumento das fraudes
Dados da Association of Certified Fraud Examiners indicam que organizações perdem, em média, cerca de 5% de sua receita anual em função de fraudes ocupacionais. Já levantamento global da GBG aponta que 96% dos profissionais de risco, fraude e compliance observaram aumento na complexidade das fraudes no último ano.
No Brasil, pesquisa da Grant Thornton Brasil mostra que 63% das empresas identificaram ao menos uma fraude recente. Em paralelo, estudos da PwC indicam um ambiente de maior rigor regulatório e fortalecimento das práticas de integridade.
O Banco Central do Brasil também tem ampliado mecanismos de prevenção a fraudes, especialmente no ecossistema do Pix, reforçando a necessidade de integração entre controles internos, tecnologia e instrumentos de transferência de risco.
Coberturas e estrutura
O Zurich Fraudes Corporativas substitui versões anteriores e foi reformulado com base em padrões globais da companhia. As apólices contemplam coberturas como:
Fraudes internas (praticadas por colaboradores);
Fraudes externas, incluindo falsificação e alterações fraudulentas;
Crimes eletrônicos, com manipulação de dados e sistemas;
Além disso, podem incluir extensões como falsidade ideológica, custos de investigação, despesas jurídicas, mitigação de perdas e recuperação de ativos.
No caso das instituições financeiras, o produto segue o modelo conhecido como Bankers Blanket Bond (BBB), abrangendo riscos como fraude documental, fraudes cambiais, transferências indevidas e crimes eletrônicos.
Voltado a empresas com faturamento anual a partir de R$ 1 milhão, o produto busca responder ao aumento da complexidade dos riscos e à necessidade de estruturas mais robustas de proteção financeira e operacional.

