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Congresso Fenacor: “Sem seguro não há futuro para a economia brasileira”

Revista Cobertura – Carol Rodrigues  – 01/09/2026

Frase do superintendente da Susep evidencia a importância do setor diante a baixa penetração, o aumento dos fenômenos climáticos e do surgimento de novos riscos

Todo o mercado está atento ao fato de que um dos seus principais objetivos é democratizar a proteção securitária no Brasil. Inclusive, a ascensão do consumo das classes C e D representa um grande desafio para o setor.

“Precisamos ter uma linguagem diferente, um processo de distribuição e produtos diferentes, além de uma série de ações onde essa comunidade se sinta integrada e perceba o benefício de ter um seguro. Nós fazemos muitas pesquisas que mostram que esse público não tem seguro porque não recebe ofertas. Ele não entende como o seguro pode ser benéfico para ele e, portanto, não contrata a proteção”, destacou Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

“O mercado evoluiu em relação à abrangência, cobertura, proteção, mas ainda temos gap muito grande. No auto, temos uma penetração de 30%. No residencial, 17%; no vida, 18%; na previdência não ultrapassa 10%; no seguro celular, 4%; e 25% no saúde”, comentou o CEO da Bradseg, Ney Dias, também presidente da federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Segundo ele, em qualquer um dos ramos de seguros há um enorme potencial. No entanto, seguradores e corretores têm de pensar em como alcançar o público desprotegido no país. Esse foi um dos assuntos debatidos durante o 24º Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros realizado pela Fenacor no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de agosto.

Estratégia nacional de resiliência financeira e securitária

“Sem seguro não há futuro para a economia brasileira”. A frase de Alessandro Octaviani, superintendente da Susep, ilustra a importância que o mercado de seguros possui na construção e reconstrução da sociedade brasileira.

Octaviani destacou que um mercado importante como o de seguros não consegue expandir-se acima do crescimento do PIB. “O PIB cresce e nós acompanhamos. Não conseguimos expandir qualitativamente. Se nós não rompermos essa barreira, não conseguiremos criar a estratégia nacional de resiliência financeira e securitária”.

Segundo ele, os corretores são essenciais neste desafio. “Certamente a junção das seguradoras com os corretores, com as cooperativas de seguro, com as sociedades de administração patrimonial mutualista, ou seja, de todo este ecossistema, talvez nós tenhamos a força suficiente para um verdadeiro projeto nacional de desenvolvimento do setor”.

O seguro é fundamental para o crescimento dos negócios, para a resiliência das cidades, para a vida das pessoas e para as empresas.

“O seguro permite a reconstrução da economia de uma tal maneira que aquele que sofreu o acidente possa ir ao mercado de crédito já minimamente reconstruído. Isso, que é uma camada de resiliência, significa desenvolvimento econômico. Por isso nós precisamos construir uma estratégia nacional de resiliência financeira e securitária como uma infraestrutura de nosso desenvolvimento nacional”, reiterou Octaviani.

“A sociedade precisa cada vez mais do setor de seguros. Uma sociedade sem seguro está sujeita a retrocessos à descontinuidade do seu processo de desenvolvimento. O seguro é a mola principal que move uma sociedade moderna, uma sociedade desenvolvida, uma sociedade sofisticada”, acrescentou o presidente da CNseg.

A tragédia no Sul

A tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, mostrou de forma concreta o impacto da falta de proteção sobre empresa e famílias.

“Muitas empresas não reabriram porque não tinham seguro e não conseguiram se restabelecer”, comentou Eduardo Dal Ri, CEO do Grupo HDI.

Por isso, ele frisou a responsabilidade social do setor em ajudar  a sociedade a continuar ativa, as famílias seguirem e a economia continuar a girar. “Anos após a enchente as pessoas ainda sofrem tremendamente os efeitos”.

Nesse contexto, Oliveira questiona: “Por que nós conseguimos vender o seguro do carro para um sujeito e não conseguimos vender o seguro da casa dele? Por que eu tenho mais seguros de celular do que seguros de vida? Por que eu não consigo fazer nenhum processo de cross selling dos produtos? Seria uma coisa quase normal em todos os mercados”.

Expansão e novos riscos

Hoje, a sociedade está exposta a novos riscos. “Os riscos cibernéticos não existiam há dez anos. Era um risco que não era perceptível. Então o mercado tem desenvolvido produtos para isso e precisamos fazer esse produto chegar às empresas e para pessoas que estão correndo riscos cibernéticos elevados. Tem um amplo espectro de novas oportunidades, de novos riscos que precisamos explorar para expandir o mercado”, disse Oliveira.

“Não consigo imaginar uma pequena empresa sem a proteção de cyber em um futuro muito próximo, quando na verdade já deveria ter hoje”, acrescentou Dias, que ainda apontou o seguro pet tem grande potencial, pois são mais de 70 milhões de pets cada vez se tornando membros de família.