Revista Cobertura – 21/09/2026
Sector Atlas 2026 avalia risco de não pagamento em 70 países; crescimento global deve desacelerar para +2,5% em 2026
A Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, divulgou nesta semana relatório Sector Atlas 2026 – The three-speed economy: How corporates navigate AI, geopolitics and fragmentation, estudo realizado pelo time de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da seguradora que avalia o risco de não pagamento das empresas em 18 setores e 70 países. No recorte brasileiro, dos 18 setores mapeados, 15 estão classificados nos dois piores níveis da escala, sendo 13 em risco “sensível” e 2 em risco “alto”.
Conforme mostra a tabela abaixo, os setores químico e têxtil são os únicos brasileiros na faixa de risco alto, definida pela metodologia da Allianz Trade como “crise iminente ou reconhecida”. O farmacêutico é o único setor do país com risco baixo (fundamentos sólidos, perspectiva favorável) . Software e serviços de TI e energia aparecem em risco médio. (sinais de fragilidade, possível desaceleração).

Com 15 dos 18 setores classificados como “sensível” ou “alto”, o Brasil registra o maior número da amostra de 70 países, empatado com a Bélgica. O contraste com os Estados Unidos é direto: a maior economia do mundo não tem nenhum setor em risco alto e concentra a maior parte das avaliações em risco médio. O México aparece com dois setores no topo da escala: têxtil e metais.
Desaceleração no crescimento global
Segundo os autores, o crescimento global deve desacelerar para +2,5% em 2026 antes de voltar a +2,9% em 2027, sustentado de forma desproporcional pelo investimento em inteligência artificial, que responde sozinho por cerca de um terço da expansão norte-americana.
De acordo com os economistas, a indústria de semicondutores está aproveitando o superciclo da IA, enquanto outros setores relacionados à tecnologia enfrentam perspectivas mistas. Espera-se que os investimentos com infraestrutura das hiperescaladoras atinjam US$ 725 bilhões em 2026 (+80% em relação ao ano anterior) e ultrapassem US$ 1 trilhão em 2027, impulsionando as vendas globais de chips para US$ 1,5 trilhão
Vantagem competitiva para América Latina
Apesar da classificação de risco “sensível” no setor de papel e celulose, o estudo destaca a América Latina, especialmente Brasil e Chile, como potências globais na produção de celulose, sustentada por plantações de larga escala, plantas modernas e alguns dos menores custos de produção do mundo. Os produtores latino-americanos são apontados como estruturalmente vantajosos no mercado de celulose, enquanto os europeus seguem pressionados por custos de madeira e energia.
No setor têxtil, os autores apontam que o Brasil responde por cerca de 1% do faturamento global do setor e figura entre os países com indústria relevante fora da Ásia, com exportações direcionadas ao mercado norte-americano. Em máquinas e equipamentos, o país é citado ao lado de EUA, China, Índia e Alemanha entre as economias que ampliam políticas industriais e subsídios, movimento que, segundo o estudo, deve redesenhar dinâmicas competitivas e fluxos de investimento no setor.
Metodologia
A Classificação de Risco Setorial da Allianz Trade Economic Research avalia o risco de inadimplência por parte de empresas em 17 setores, em 70 países ao redor do mundo. Ela é medida em uma escala de quatro níveis, que vai de Baixo a Alto. As avaliações de risco setorial baseiam-se na análise prospectiva de quatro fatores-chave – demanda, lucratividade, liquidez e ambiente de negócios – utilizando dados internos da Allianz Trade e pareceres de especialistas, bem como dados concretos de fontes secundárias.
A Classificação de Risco Setorial baseia-se na avaliação de quatro componentes que são analisados globalmente para cada setor
Demanda: Perspectivas para o faturamento das empresas com base no crescimento orgânico, nos fundamentos e na concorrência de preços do setor.
Rentabilidade: Perspectivas para as margens e lucros das empresas, dependendo da evolução dos preços das matérias-primas/commodities, nos custos de mão de obra e nas flutuações de oferta e capacidade.
Liquidez: Perspectivas para as posições de caixa das empresas e riscos de financiamento, com base no acesso a financiamento e no desempenho de pagamentos, e
Ambiente de negócios: Quaisquer inovações tecnológicas, novos subsídios governamentais e mudanças no marco legal que possam alterar modelos de negócios e estratégias das empresas.
Para acessar o relatório completo em inglês, clique aqui
FONTE: Race Comunicação

