Participantes de audiência pública reforçaram importância da cultura do seguro e debateram alternativas para ampliar acesso ao serviço, inclusive no setor público.
O debate realizado nesta quarta-feira (8/7/26), atendendo a requerimento do deputado Rafael Martins (PSD), teve como objetivo reforçar a importância e os desafios atuais para ampliação do acesso ao setor por meio da chamada “cultura do seguro”.
Os participantes da audiência reforçaram a noção de que a mitigação de riscos promove a estabilidade econômica necessária tanto para o cidadão em sua vida privada quanto para o investimento produtivo, inclusive por parte do poder público.
Nessa linha, foi lançado o vídeo institucional do Projeto “Cidades Protegidas”, do Sindicato dos Corretores de Seguros e Capitalização do Estado de Minas Gerais, que tem Diamantina (Central) como piloto, em virtude do patrimônio histórico de valor inestimável.
Mais do que abrir um canal de diálogo com o poder público, o objetivo da campanha é sensibilizar os cidadãos da importância de ter seguros em diversas aplicações. A direção da entidade pretende visitar todos os municípios mineiros para divulgar a iniciativa para pessoas comuns, empreendedores e gestores públicos.
Segundo informações divulgadas na audiência, o mercado de seguros movimentou no ano passado, em todos os seus ramos, cerca de R$ 760 bilhões na economia brasileira,
algo em torno de 6% do PIB. Desse valor, cerca de 70% teria retornado aos segurados na forma de indenizações. Minas Gerais representa 9,2% do mercado nacional.
Mais de 90% dos R$ 2 trilhões em reservas do setor estão aplicados em títulos públicos. O mercado de trabalho do setor reúne mais de 200 mil pessoas de forma indireta, com o mesmo montante de forma indireta. Em todo o País, são 22 milhões de veículos segurados e 13 milhões de residências.
Apesar dos números grandiosos, o maior problema apontado pelos participantes da reunião é que esse percentual deveria ser bem maior para garantir o crescimento da economia sem sobressaltos. Em países mais desenvolvidos, o percentual médio de participação do mercado de seguros no PIB é de 10%.
“O seguro precisa chegar antes que a tragédia aconteça. A gente sabe que elas vão acontecer, só não sabemos quando, nem onde”, sentenciou o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros e Capitalização do Estado de Minas Gerais, Gustavo Pereira Lima Bentes, ao lembrar os problemas causados pelas chuvas na Zona da Mata mineira no início deste ano.
Dentro da proposta do projeto “Cidades Protegidas”, o dirigente sugeriu transformar em lei a obrigação securitária das cidades e de seus equipamentos, com dotação orçamentária para isso.
Nos temporais que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, foram contabilizados mais de R$ 100 bilhões em prejuízos. Apenas 6,8% foram amparados pelas companhias seguradoras.
“O resto caiu nas costas da sociedade porque precisou ser bancado com recursos públicos”, emendou a presidente do Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Resseguros e de Capitalização (SindSeg) dos Estados de MG, GO, MT e DF, Andréia dos Reis Padovani.
“Essas catástrofes têm cauda longa. Na hora a gente se sensibiliza, se mobiliza, mas depois de alguns dias a comoção esfria, mas o problema continua. Não podemos mais conviver com isso. Em Juiz de Fora, a Prefeitura teve dificuldades de enterrar todos os mortos. Em Ubá, empresários da indústria de móveis perderam tudo. Muita gente comprou móveis e ainda não recebeu. Temos que lembrar também do que aconteceu em Mariana e Brumadinho”. disse Gustavo Bentes, Presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros e Capitalização.
Segmento é complementar na saúde e na previdência
O deputado Rafael Martins, que coordenou o debate, reforçou a importância da causa. Ele lembrou que apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição, que tramita na ALMG, prevendo a destinação obrigatória de 5% das emendas indicadas pelos parlamentares para a prevenção de desastres, recursos que poderiam ser usados na forma de seguros.
“O corretor de seguros é um agente de transformação social. Não existe país desenvolvido sem uma indústria de seguros forte. Basta que as pessoas entendam que a natureza do seguro está no mutualismo: arrecadar um pequeno valor de muitos para indenizar alguns”, explicou o presidente do Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), João Paulo Moreira de Mello.
O dirigente lembrou que o Brasil tem o melhor sistema de saúde do mundo, o SUS, mas que ele não dá conta sozinho da demanda, que é atendida pelo mercado de seguros de forma suplementar.
“Quanto à previdência, a questão é ainda mais complexa porque o sistema oficial nunca vai dar conta de todas as aposentadorias em valores dignos. É preciso estimular a previdência privada. Tudo o que queremos é o apoio do poder público, não sobretaxar o mercado e investir na educação securitária”, sugeriu.
Outro debate similar foi sediado pela ALMG na última segunda-feira (6), pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, na qual foi discutido o mercado de planos de proteção veicular, atividade exercida pelos chamados consultores de proteção patrimonial mutualista.
Mais instáveis, os trabalhadores da modalidade de seguro cobraram o aprimoramento de projeto de lei federal que regulamenta a atividade, visando garantir mais prazo para o treinamento da categoria e, ainda, garantias previdenciárias e contratuais para os consultores frente às associações para as quais trabalham, sobretudo em caso de inadimplência.Play

